quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O Gigolô da Política


 Rose Salazar e Cristina Roriz
26/10/20016

Em sua origem, o termo “gigolô” está diretamente ligado à ideia de exploração da mulher. Adquiriu,com a evolução da língua, um sentido mais amplo e, hoje, define todo aquele que sobrevive a custa de terceiros, em uma espécie de exploração.

Encontramos nesse bojo uma figura quase tão antiga quanto o termo original : O “gigolô político” . Este vive de rolos, trocas, favorecimentos pessoais e serve de mediador ou negociador em questões políticas. Quando trabalha, quase sempre o faz em cargos comissionados os quais exigem pouca dedicação e quase nenhum ou até mesmo nenhum comparecimento ao setor para o qual foi nomeado.

O “gigolô político” é o cara que sabe de tudo e de todos; está sempre bem informado porque a informação suja e sigilosa, que deveria ser denunciada aos órgãos competentes, é a sua moeda de troca e é o que lhe garantirá a permanência nos cargos públicos.

Ele vive rodeado de pessoas que repassam informação para que ele execute o trabalho sujo. As inverdades estão de tal forma enraizadas na sua personalidade, que ele passa a considerar verídico as mentiras que conta.

Em época de eleição, o “gigolô político” sempre está aliado a algum politico que negocia cargos e defenderá o seu candidato/padrinho com unhas e dentes. Não existe ética e moral para ele. Se o candidato é corrupto ou desonesto, isso nunca lhe será um obstáculo. Na verdade, tanto melhor se ele o for. É mais fácil negociar com quem tem a mesma prática oportunista de fazer politica.

E, assim, vai sobrevivendo.

O discurso do “gigolô político” é tão convincente – e tem que ser para se manter no cargo – que, quem não o conhece, chega a confundi-lo com um defensor das minorias e da politica limpa. Ele é aquela figura que, se o candidato dele ganha, ele está dentro. Se o candidato perde, ele faz a aliança conveniente para os seus interesses e,então… ele,também, está dentro. O “gigolô político” político nunca perde a “boquinha”

Ele procura conhecer os “podres” de todos no meio político e, quando não tem o que contar, inventa. Não tem amigos, tem cúmplices. Todos que o rodeiam têm um interesse comum, arranjar uma “boquinha” denominada de cargo público. Não tem vergonha, mente sem culpa.

Em Volta Redonda, nesse momento, o mercado de “gigolôs políticos” está aquecido. Estão todos se apertando num estádio lotado, atacando o adversário, na torcida para que ele sucumba .Essa é a sua estratégia para se manter em algum cargo público.

Alguém perguntou por ideologia partidária ? Não, né? Um tatu cheira o outro. E, assim, eles vão se aliando! E, assim, ele vai se mantendo!




terça-feira, 25 de outubro de 2016

Samuca e Baltazar: O que está por trás do discurso?


Rose Salazar
25/10/2016
A crueldade, a maldade e o ódio existem desde os tempos mais primórdios e vão continuar existindo. Isso não significa que sejam inevitáveis. A solução para isso seria a aplicação rigorosa da lei, de forma que o temor a ela seja fator coibidor do crime gerado pelo ódio.
As redes sociais mostram seu lado sombrio da falta de escrúpulos daqueles que a qualquer custo tentam se manter no poder e atacam seus oponentes de todas as formas nessas eleições em Volta Redonda. Falei sobre o tema no artigo, FALSO OU VERDADEIRO: Como saber se estão me enganando?
O ódio a maldade e a crueldade ocupam o ciberespaço propagando mentiras sobre o candidato Samuca Silva. Como acreditar em pessoas que no primeiro turno se degladiavam e no segundo turno se unem para atacar apenas um candidato. O candidato que aceita apoio do PMDB e PT não tem meu apreço, e falar que não sabe o que seu grupo está fazendo cairia no discurso de Lula e Dilma que a cada descobrerta de corrupção ligada a seu grupo alegava desconhecimento do fato. Posso citar o caso da refinaria da Petrobras em Pasadena (EUA) onde Dilma declara que o negócio só foi aprovado porque clausulas fundamentais eram desconhecidas. A tática de negar até o fim é uma velha tática da política suja usada pelo PT até hoje.
Não é segredo para ninguém que o FORO de São Paulo foi decisivo para a eleição de Lula(ele mesmo declarou isso). O mais importante saber é que o FORO de São Paulo é uma conferência de partidos políticos de esquerda criada em 1990 a partir de um seminário internacional promovido pelo Partido dos Trabalhadores do Brasil, e visava unir forças para eleger presidentes de esquerda na américa latina. Entre os partidos de esquerda do Brasil estão PT, PDT, PcdoB, PCB, Partido Pátria Livre, PPS e PSB. Até ai tudo quase normal. O problema é encontrado quando entre os partidos de esquerda dos países da américa do sul e central encontramos a participação de partidos legais e várias organizações criminosas ligadas ao narcotráfico e à indústria dos sequestros, como as Farc e o MIR chileno, todas empenhados numa articulação estratégica comum e na busca de vantagens mútuas. Para atinguir seu objetivo este grupo utilizou uma estratégia muito conhecida na política brasileira. Quantas vezes vemos nas defesas de políticos a negação de crimes cometidos apenas com um discurso repetitivo que nada tem de fundamentado. Ou seja negar até a morte apenas por negar, sem apresentar nada em defesa própria(até porque não tem defesa), a única atitude que utilizam é a da compaixão ou comoção popular, se fazendo de vítima do sistema para ganhar apoio da população. A condição de vítima rendeu muitos votos a este grupo durante muitos anos. Outra estratégia é acusar os opositores com mentiras e calúnias, como se isso fosse absolvê-los de seus delitos. Denunciam seus opositores apelando pelo sentimento de justiça que a população tanto almeja, assim ameniza a sua culpa ou diminui o peso dos crimes que a cada dia são colocados em seus ombros por conchavos políticos ou corrupção ativa, improbidade administrativa e muito mais.
O que me parece é que os adversários político entende que espalhando calúnias sobre Samuca Silva iremos esquecer de todos os processos contra Baltazar. Se o candidato Samuca fosse culpado de todos os crimes imputados a ele eu teria a solução para a questão, neste caso usaríamos as ambulâncias da Operação sanguessuga e já que faltam veículos para a PM (governo do PMDB sucatiou o estado) levaríamos Samuca preso passando pela rodovia do contorno.
O grande problema é que o PT(de KIKA) utilizou durante toda sua campanha estratégias de esquerda ligada a guerrilha(FARC E MIR é grupo de guerrilha). Calúnias, mentiras e difamação, é a melhor tática do grupo de partidos citados acima que apoiam Baltazar , olhe o que o Manual do Guerrilheiro de Maringuela fala sobre o assunto:
A guerrilha urbana comprometida com a imprensa clandestinas facilita enormemente a incorporação de um grande número de...o objeto da guerra de nervos é para enganar, propagar mentiras entre as autoridades na qual todos podem participar, assim criando um ar de nervosismo, descrédito, insegurança e preocupação por parte do governo. (Manual do Guerrilheiro)
Como eles agem?
1 - usando o telefone e meios de comunicação para espalhar boatos
2 - apresentar provas falsas para desviar a atenção do público
3 - plantar rumores para deixar o adversário nervoso
4 – explorando cada meio possível de falsiar a corrupção no adversário forçando-os a explicações desmoralizantes e justificações nos meios de comunicação de massas que mantém baixo audiência.
e. apresentando denúncias de agreções verbais falsas e buscando o sentimento de compaixão da população.
Todo este discurso apresenta a clara intenção de usar os cidadão de Volta Redonda como Massa de Manobra. O que eles desejam tanto esconder? Por que o medo toma conta desse grupo? Como posso acreditar em um grupo de pessoas que se associam com finalidades obscuras? O povo não aceita isso, queremos respeito e ética na política. A única coisa que conseguiram foi um tiro no pé.





sexta-feira, 21 de outubro de 2016

FALSO OU VERDADEIRO: Como saber se estão me enganando?


Rose Salazar
21/10/2016 
 
Quem não conhece ou já ouviu falar em Facebook, Instagram ou Twitter? Hoje, 81,5 milhões de brasileiros acessam à internet através do celular. As redes sociais deixam de ser apenas uma ferramenta de interação, de busca por relacionamento e de conversa, passando a exercer uma função social importante. As redes sociais foram pensadas, em sua origem, como forma de entretenimento, e promoviam um contato maior entre as pessoas para amenizar as distâncias geográficas.
Seja qual for o motivo das pessoas, se por lazer, relacionamentos, empregos ou outros objetivos, as redes sociais permitem uma maior conexão entre elas. O ciberespaço é um novo espaço para a expressão, conhecimento e comunicação humana, onde a presença humana não existe fisicamente mas virtualmente.
É inegável que a revolução cibernética-tecnológica afeta os mais variados aspectos da vida cotidiana, e não poderia ser diferente na política. Todos os partidos produziram, ou estão elaborando, cartilhas para ensinar a utilização dessas plataformas nas campanhas eleitorais. Afinal, todos buscamos uma forma rápida de alcançar um maior número de pessoas para passar nossas idéias. Até aí, tudo dentro da normalidade.
O problema começa quando a pervenção do serumaninho toma conta das redes. O caso do serralheiro carioca Carlos Luiz Batista, de 39 anos, que teve sua vida virada de ponta a cabeça em poucos dias, em razão de um boato compartilhado nas redes sociais. Uma mensagem, acompanhada de sua foto, dizia que o serralheiro era “estuprador e sequestrador de crianças”. Ele recebe ameaças constantes e teme sair de casa por conta disso.
Outro caso foi o de Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, que morreu em 05 de maio de 2014, após ter sido espancada por dezenas de moradores de Guarujá, no litoral de São Paulo. Segundo a família, ela foi agredida a partir de um boato gerado por uma página em uma rede social, que afirmava a dona de casa ser sequestradora de crianças, para utilizá-las em rituais de magia negra.
O NEXO jornal informa, que, de acordo com um levantamento do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Acesso a Informação da USP, na semana em que a Câmara autorizou a abertura do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, em abril, três das cinco matérias mais compartilhadas no Facebook no Brasil eram falsas. Vejam, não estou contra o impeachment, apenas relatando a pesquisa da USP.
Segundo o mesmo jornal, quando recebemos, por meio das redes sociais, o link de uma matéria que confirma nossa visão de mundo, temos mais chances de ignorar possíveis evidências de que ela seja falsa e logo compartilhamos e reproduzimos uma mentira como verdade.
1 - Nos últimos dias vimos em Volta Redonda uma enxurrada de impropérios contra o candidato Samuca Silva nas redes sociais. Esta semana saiu uma falsa notícia, onde o título fala “Samuca tem forte ligação com a ideologia do Partido Verde” e ao lado as supostas ideologias do partido. Tudo uma montagem mal feita que busca apenas associar a imagem do candidato a defensor de causas tão polêmicas.
Neste caso o que devemos fazer? Quando uma notícia ou print mostra que uma figura pública disse ou fez alguma coisa, vamos buscar se o print é verdadeiro ou se a reportagem é original? Devemos ter cuidado também com perfil falso que são usados para difamar alguma figura pública. Segue abaixo a reportagem real e falsa criada pelos adversários político de Samuca. Eu poderia exemplificar com vários panfletos ou postagens feitas nas redes sociais, mas vou utilizar apenas este. Caso seja solicitada exemplifico através de outros.
2 - Verifique o histórico do veículo ou de quem publicou a informação. Tem muita gente com medo de perder o salário que ganha como ASPONE, se o seu candidato perder. Sabemos que muitos políticos têm a prática de fazer um racha (mear a verba destinada aos gabinetes), ou negociar cargos nas coligações em todos os escaloes para manter seus cabos eleitorais, recebendo muitas vezes para não trabalhar e, assim, os mantém cativos para as suas próximas campanhas. Se um candidato que não está ligado a esta teia de influências ganhar, toda esta estrutura cai por terra, o castelo desmorona. Essa prática leva aos cargos, pessoas que não estão qualificadas para tal função e isso faz com que os serviços oferecidos pelo poder público seja muito inferior aos prestados pela iniciativa privada. Como é o caso por exemplo dos planos de saúde, que hoje é o sonho de consumo da população de baixa renda. O descaso com a população é grande. Será que o candidato Samuca não aceita coligação para fugir dessa teia?
No período que se compreende a baixa Idade Média e início da modernidade, o senso comum vai atribuir ao monarca a posse de um poder miraculoso, a manifestação de um poder divino que somente se manifesta nos reis. Existia uma cerimônia onde os fieis beijavam a mão do rei acreditando que seria purificado e elevado ao plano divino através do gesto. Com os reis taumaturgos a crença bem difundida na Europa durante mais de meio milênio, era de que os reis de França e Inglaterra tinham o poder miraculoso de curar, com seu toque, uma afecção da pele, as escrófulas. Marc Bloch disse que “o rei possui sobre seus súditos tal poder que é capaz de enxertar em suas mentes, e mais, em seus imaginários, seus projetos, seja lá quais caráter eles possuam”. O povo se dirigia até o rei todos os anos e na grande maioria das vezes sem alcançar a cura, mas ainda acreditando nela, a mentalidade não mudava e o poder político do rei se reafirmava.
O que tento enunciar é que qualquer idéia de mudança, que faça desmoronar o castelo do império dos poderosos estabelecido em nosso município, será visto pelos cidadão através do discurso da corte como risco a ordem pública, caos na política. Qualquer mudança que amedronte este poder será combatida com todo tipo de intriga e difamação.
São três os crimes contra a honra tipificados pelo nosso código penal: Calúnia (art. 138); Difamação (art. 139) e Injúria (art. 140).
Sabedora da curta memória histórica que temos, estou juntando muitas postagens feitas com acusações através de print. Estou como cidadã voltarredondense profundamente aterrorizada com a quantidade de pessoas empenhadas em denegrir a imagem do candidato Samuca. O medo de perder o poder é tamanho ao ponto de não temer as leis.
Os crimes digitais são cada vez mais comuns porque as pessoas cultivam a sensação de que o ambiente virtual é uma terra sem leis. A falta de denúncias também incentiva fortemente o crescimento dos número de golpes virtuais e violência digital.
A pessoa que você acredita ser inteligente e confiável pode também estar apenas reproduzindo o que outro postou ou agindo de má-fé. Vamos nos comprometer como pessoas que tem o desejo sincero de fazer uma gestão sem comprometimentos obscuros de campanha, pactos e acordos de campanha, que seu único compromisso seja com a população de Volta Redonda. Sem medo de errar, sem medo de mudar, vamos transformar nossa cidade. Não permita que as pessoas sejam enganadas com tantas mentiras. Vamos cuidar da ética nas redes sociais e na escolha dos nossos governantes.





















REFERÊNCIAS





segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Samuca ou Baltazar: Em quem votar?


                                                                                                                                             Rose Salazar
                                                                                                                               17 de outubro de 2016
O cenário político em Volta Redonda está muito fervoroso, ocorrendo, a todo momento ofensas e denuncismos, além de sermos bombardeados com notícias sobre os dois candidatos a Prefeitura. Nesse ambiente de disputa, fatos inverídicos, perfis falsos, manipulação dos órgãos de imprensa (através de inserções em seus sites), atacam a reputação dos candidatos, que vão se multiplicando nas redes sociais. O tradicional cabo eleitoral está sendo substituído pelo ativismo digital. Isso é uma tendência mundial. Os partidos já se organizam para este novo momento digital que a sociedade vive. Tudo muito novo! Pior, nada de novidade. O novo é apenas o instrumento que está sendo utilizado ou manuseado (internet), mas a prática política é velha. As ofensas e boatos já se encontram enraizadas em nossa cultura. Lembro-me de um amigo que citou, em uma conversa privada, os métodos utilizados por ele há 14 anos atrás, dentre estes, no caso, falar ao celular (lembrando que o celular nesse momento quase nunca tinha área de cobertura) dentro de um ônibus, em voz alta, como se a conversa não pudesse chegar aos ouvidos da população (pura fofoca). Nas palavras dele, esses boatos (noticias criadas) se espalhavam como fogo, sem endereço e nome. Como conter uma fofoca? A questão é onde está a ética que tanto buscamos na política? Como podemos cobrar uma conduta ética de nosso candidato, se utilizo esta prática? Percebendo que a internet está sendo utilizada para espalhar boatos, decidi escrever sobre os dois candidatos e sobre os boatos ou verdades que se espalham nas redes sociais.
Iniciarei com um boato “leve”: a visita do candidato Samuca à Casa Maçonica, com a finalidade de apresentar suas propostas. Aqui, nesse caso, espalhou-se de uma forma assustadora. É nesse momento que conhecemos o preconceito ainda enraizado na sociedade, várias pessoas se posicionando contra o candidato alegando que ele seria maçom (isso, em si, é pecado ou desconhecimento?). O boato foi desmentido pelo próprio Samuca, que chegou a postar sobre o convite feito pela Casa Maçonica aos dois candidatos, e aceito por ambos, sendo que Samuca apresentaria suas propostas em 11 de outubro, enquanto Baltazar em 25 do mesmo mês. Outro fato, não difundido na mídia, talvez por falta de repercussão negativa, foi o encontro dos candidatos com a Diocese de Volta Redonda. Esses fatos comparativos deixam claro a intenção em denegrir a imagem de Samuca.
Quanto aos boatos sobre o Samuca ser favorável à legalização do uso da maconha e do aborto, por “constar no estatuto do Partido Verde”, são pontos que muito nos assustam. Mas, nestes temas, a eleição de Volta Redonda tem o poder de decidir sobre tais questões, que se encontram em constante debate no plano nível nacional? Qual é a função do prefeito? Trata-se de eleição para Deputado? Será que Samuca, uma vez eleito, teria o poder de liberar o uso da maconha em nossa Cidade e regulamentar o aborto? Tenho certeza e convicção de que ele precisaria resolver as questões de saúde, do qual o município vem sofrendo. Aliás, se resolver esse ponto, já estará fazendo um bom trabalho pela população, que tanto sofre com a falta de médicos nos postos de saúde, falta de medicamentos nas farmácias públicas, ausência de leitos nos hospitais, dificuldades em marcar uma cirurgia, etc. Acredito que as questões colocadas em relação ao aborto e a maconha são matérias de competência do Congresso Nacional, não estando na pauta de prioridades para nenhum dos dois candidatos. Nesse momento, temos muitas pessoas sendo levadas para fazer hemodiálise em outras cidades, e acredito que esta é uma prioridade. Precisamos de clinicas municipais ou estaduais para atender aos dependentes químicos de nossa cidade e região. Afinal eles irão governar para todos, devendo focar na prevenção.
Quando Samuca fala que não é político, eu entendo isso no sentido das velhas práticas políticas, aquelas que mencionei no início do texto. Algo tão esperado por algumas pessoas e assustador quando aparece. O discurso de que isso seja perigoso se espalha, como se isso fosse algo abominável, assustador, quase uma aberração. Não precisamos de políticos profissionais, mas sim de pessoas que governem com respeito ao dinheiro público, difundindo a transparência na Administração Pública. Chega de criar redes de influências para manter o poder local, regional e nacional. Essas notícias são veiculadas para manter nosso voto no cabresto, assim, você desiste de votar no novo e deixa se perpetuar a velha política que governa nossa cidade há anos.
Outro fato que me deixa apavorada é a comparação de Samuca com Collor, esdrúxula e ignorante. Quem escreveu não sabe certamente de onde veio Collor. Collor foi levado ao poder pela ARENA/PDS, quando foi nomeado prefeito de Maceió em 1979; em 1982 foi eleito deputado federal, votando em Maluf para presidente, no Colégio Eleitoral. Filiou-se ao PMDB, em 1986, sendo eleito governador de Alagoas, na onda do Plano Cruzado. Através do PRN, partido criado por ele, disputou a presidência em 89. Samuca nunca ocupou um cargo político eletivo. Isso é, no mínimo, um grande anacronismo. Usar o argumento de que as mulheres elegeram Collor pela beleza, e farão o mesmo com Samuca, é ofender a inteligência da mulher, como se fossemos alienadas. Verifica-se, nessas palavras, puro preconceito, principalmente em relação à maioria da população de Volta Redonda. Sugiro a esse tipo de pessoa, muito cuidado com o que falam, devido à uma grande bobagem no que expressam. As mulheres sabem escolher e a comparação é totalmente sem "noção".
O caso que mais fez-me rir foi a publicação, no jornal Diário do Vale, com o título “vice de Baltazar é criador da lei da creche integral”. Faço a primeira pergunta: se ele foi autor da lei, por que não fez com que fosse cumprida? Outra pergunta: o que está sendo feito com a verba federal do Programa “Brasil Carinhoso" (muito dinheiro), destinada ao nosso município? Será que o vereador (vice) sabe? Agora, o básico: Sr. Vereador, por que não apresenta o que verdadeiramente fez? Quanto ao jornal, faço a seguinte pergunta: por que o título nada tem a ver com o conteúdo da matéria? Seria para induzir a população a acreditar nesse disparate? Existe, no direito brasileiro, a Constituição Federal, a LDB; assim, cuidado com o que postam.
Muitas vezes, por fala de tempo, nos dedicamos a ler somente o título da matéria, e ficamos com a opinião que o título sugeri. Ou, quem sabe, teria sido um equivoco na edição? Prefiro acreditar na segunda hipôtese.
O discurso de que um gestor não pode governar porque não conhece de política é enganoso. Se for assim, podemos falar de casos de engenheiros que assumiram a direção de hospitais, engenheiro civil como ministro do Planejamento, ministro da saùde e vários casos no Brasil, alguns com sucesso, outros nem tanto.
Quanto ao candidato Baltazar, no primeiro turno atacado pelo PEN, com panfletos que lembravam à população sobre os processos judiciais dos quais ele responde em relação a Operação Sanguessuga, ficou tudo esquecido no segundo turno. Nada mais é falado sobre isso, os ataques se concentraram em Samuca. Após o candidato Samuca se pronunciar a respeito de não aceitar o apoio de partidos, as forças partidárias se uniram contra ele, ferozmente. Os partidos que se empenhavam em atacar o candidato Baltazar, não apenas nessa eleição, mas desde 2006, agora unem-se a ele para derrotar Samuca, sendo isso, no mínimo, estranho.
"Em maio de 2006, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sanguessuga para desarticular o esquema de fraudes em licitações na área de saúde. De acordo com a PF, a quadrilha negociava com assessores de parlamentares a liberação de emendas individuais ao Orçamento da União, para que fossem destinadas a municípios específicos. Com recursos garantidos, o grupo - que também tinha um integrante ocupando cargo no Ministério da Saúde - manipulava a licitação e fraudava a concorrência, valendo-se de empresas de fachada. Os preços da licitação eram superfaturados, e o lucro era distribuído entre os participantes do esquema. Dezenas de deputados foram acusados inclusive o candidato a prefeitura de Volta Redonda Paulo Cesar Baltazar.“ (vide matéria do Congresso em foco)
Esse fato, nesse momento, para a impressa local, não possui mais relevância para o grupo que se une para eleger o candidato Baltazar. Ou seja, um caso de AÇÃO CIVIL PÚBLICA/IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA deixa de ter relevância, passando o foco para a falta de experiência do candidato Samuca. Aí vem minha pergunta, por que?
O candidato Baltazar defende-se, argumentando que, na função de deputado, não tinha o poder de comprar ambulâncias; evidente que sabemos disso, mas, a denuncia é “ liberação de emendas individuais ao Orçamento da União” para os municipios, a partir de uma licitação fraudulenta.
A defesa é que o caso não foi julgado, sendo o candidato inocente, até que se prove o contrário. Leonel Brizola já denunciava Eduardo Cunha, em 2000. Noticiou-se: “Brizola estava incomodado com a Cehab, comandada por Cunha, detentora de um dos maiores orçamentos do governo fluminense." Organizou um abaixo assinado pedindo o afastamento de Eduardo Cunha, “devido à má-gestão e também aos seus antecedentes”, de acordo com outra reportagem da Folha de S.Paulo. A população não acreditou nas denuncias, e, mesmo diante a tantas denuncias que surgiram durante os anos, Eduardo Cunha continuou sendo eleito, alegando ter sido caluniado pela oposição.
Muito me assusta a banalização desse caso por parte da grande maioria dos políticos e partidos de nossa cidade, que valorizam a falta de experieência de Samuca Silva, a despeito da denúncia na “máfia das ambulâncias” de Baltazar.
Poderíamos debater tantos argumentos utilizados para denegrir a imagem de um candidato, e, por tabela, santificar o outro. Por enquanto, até que outro assunto apareça nas redes, ficarei por aqui, lembrando que, independente de partido, tenho respeito pelos dois candidatos, mas nunca negaria minha preferência por Samuca. Não seria coerente reivindicar políticas públicas voltadas para o primeiro emprego de jovens, e negar a um candidato que, não sendo jovem, tenha direito de ser um prefeito, com seus 35 anos. Sou Samuca no segundo turno, seguindo o discurso que utilizei no primeiro turno “independência para governar”. Vamos parar de mimimi e ouvir propostas. Após as eleições, cobraremos dos vereadores e do Prefeito eleito tudo que prometeram durante a campanha.

domingo, 16 de março de 2014

O povo brasileiro: um povo místico e religioso

O povo brasileiro: um povo místico e religioso

16/03/2014
O povo brasileiro é espiritual e místico goste ou não goste a intelectualidade secularizada,em geral, sem ou com tênue organicidade com os movimentos populares e sociais.
O povo não passou pela escola dos modernos mestres da suspeita que, em vão, tentaram desligitimar a religião. Para o povo, Deus não é um problema mas uma solução de seus problemas e o sentido derradeiro de seu viver e de seu morrer. Ele sente Deus acompanhando seus  passos, celebra-o nas expressões do cotidiano como “meu Deus”, “graças a Deus”, “Deus lhe pague”, “Deus o acompanhe”, “queira Deus” e “Deus o abençoe”. Geralmente muitos ao desligar o telefone se despedem com “fique com Deus”. Se não tivesse Deus em sua vida, certamente, não teria resistido com tanta fortaleza, humor e sentido de luta  aos séculos de ostracismo social.
O cristianismo ajudou a formar a identidade dos brasileiros. No tempo da Colônia e do Império ele entrou pela via da missão (igreja institucional) e da devoção aos santos e santas (cristianismo popular). Modernamente está entrando pela vida da libertação (círculos bíblicos, comunidades de base e pastorais sociais) e pelo carismatismo (encontros de oração e de cura, grandes shows-celebrações dos padres mediáticos).     Fundamentalmente o cristianismo colonial e imperial educou as classes senhoriais sem questionar-lhes o projeto de dominação e domesticou as classes populares para se ajustarem ao lugar que lhes cabia na marginalidade. Por isso a função do cristianismo foi extremamente ambígua mas sempre funcional ao status quo desigual e injusto. Raramente foi profético. No caso da escravidão foi francamente legitimador de uma ordem iníqua.
Somente a partir dos anos 50 do século passado, setores importantes de sua institucionalidade (bispos, padres e religiosos e religiosas, leigos e leigas) começaram um processo de deslocamento de seu lugar social  no centro, rumo à periferia onde o povo pobre vivia. Surgiu o discurso da promoção humana integral e da libertação sócio-histórica cuja centralidade é ocupada pelos oprimidos que já não aceitam mais sua condição de oprimidos. Pelo fato de serem simultaneamente pobres e religiosos, tiraram de sua religião as inspirações para a resistência e para a libertação rumo a uma sociedade com mais participação popular e mais justiça. Emerge um cristianismo novo, profético, libertador  e comprometido com as mudanças necessárias.
Mas a maior criação cultural feita no Brasil é representada pelo cristianismo popular. Colocados à margem do sistema político e religioso, os pobres, indígenas e negros deram corpo a sua experiência espiritual no código da cultura popular que se rege mais pela lógica do inconsciente e do emocional do que do racional e do doutrinário. Elaboraram assim uma rica simbologia, as festas aos seus santos e santas fortes, uma arte colorida e uma música carregada de sentimento associada à noble tristesse. Ele não significa decadência do cristianismo oficial, mas uma forma diferente, popular e sincrética de expressar o essencial da mensagem cristã.
As religiões afro-brasileira, o  sincretismo urdido de elementos cristãos, afro-brasileiros e indígenas, representam outra criação relevante da cultura popular. Abstraindo de algum fundamentalismo evangélico, o povo em geral não é dogmático, nem obcecado em suas crenças. É tolerante, pois crê que Deus está em todos e todos os caminhos terminam nele. Por isso é multiconfessional e não se envergonha de ter várias pertenças religiosas. A síntese é feita dentro de seu coração em sua espiritualidade profunda.  A partir daí compõe o rico tecido religioso. O antropólogo Roberto da Matta o exprimiu acertadamente: “No caminho para Deus posso juntar muita coisa. Nele, posso ser católico e umbandista, devoto de Ogum e de São Jorge. A linguagem religiosa de nosso pais é, pois, uma linguagem de relação e da ligação. Um idioma que busca o meio-termo, o meio caminho, a possibilidade de salvar todo o mundo e de em todos os locais encontrar alguma coisa boa e digna”( O que faz o brasil Brasil, Rocco, Rio de Janeiro 1984,117).
Especialmente importante é a contribuição civilizatória trazida pelas religiões afro (nagô, candomblé, macumba, umbanda e outras) que aqui a partir de suas próprias matrizes africanas elaboraram rico sincretismo. Cada ser humano pode ser um incorporador eventual da divindade em benefício dos outros. Negados socialmente, desprezados politicamente, perseguidos religiosamente, as religiões afro-brasileiras devolveram auto-estima à população negra, ao afirmar que os orixás africanos os enviaram a estas terras para ajudar os necessitados e para impregnar de axé (energia cósmica e sagrada) os ares do Brasil. Apesar de escravos cumpriam uma missão transcendente e de grande significação histórica.
Foram os negros e os indígenas que conferiram e conferem uma marca mística à alma brasileira. Todos se sabem acompanhados pelos santos e santas fortes, pelos orixás,p pelo Preto Velho (umbanda) e pela mão providente de Deus que não deixa que tudo se perca e se frustre definitivamente. Para tudo há jeito e existe uma saída benfazeja. Por isso há leveza, humor, sentido de festa em todas as manifestações populares.
O futuro religioso do Brasil não será, provavelmente, o seu passado católico. Será, possivelmente, a criação sincrética original de uma nova espiritualidade ecumênica que conviverá com as diferenças (a tradição evangélica em ascenso, o pentecostalismo,o kardecismo e outras religiões orientais) mas na unidade da mesma percepção do Divino e do Sagrado que impregna o cosmos, a história humana e a vida de cada pessoa.

Fonte: http://leonardoboff.wordpress.com/2014/03/16/o-povo-brasileiro-um-povo-mistico-e-religioso/

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

PESQUISA








 
Pesquisa de opinião pública sobre o perfil dos usuários da internet

1) Qual o seu sexo?
( ) masculino
( ) feminino

2) Qual a sua idade?
( ) até 18 anos
( ) até 35 anos
( ) até 50 anos
( ) acima de 50 anos

3) Qual o seu grau de escolaridade?
( ) ensino fundamental completo
( ) ensino fundamental incompleto
( ) ensino médio completo
( ) ensino médio incompleto
( ) ensino superior

4) Quantos aparelhos você acessa a internet?
( ) 1
( ) 2
( ) 3
( ) ou mais de 3

5) Aonde você acessa a internet?
( ) em casa
( ) no trabalho
( ) na lan house
( ) no celular
( ) no tablete

6) Qual é o tempo médio diário de acesso?
( ) até 2h
( ) de 2 a 4h
( ) de 4 a 6h
( ) mais de 6h

7) Qual é o seu principal objetivo ao acessar a internet?
( ) trabalho
( ) lazer
( ) jogos
( ) relacionar-se

8) Já foi vítima de bullyng ou crime virtual?
( ) sim ( ) não

9) Possui perfil falso ou fake?
( ) sim ( ) não

10) Você realiza compras pela internet?
( ) sim ( ) não

domingo, 12 de janeiro de 2014

Amor próprio e obesidade

Muitas pessoas não buscam uma espiritualidade mais avançada por não conseguirem ver nenhuma relação entre sua vida material e reações inexplicáveis. Este texto que posto a seguir é um exemplo de como um sentimento pode afetar fisicamente nossa vida.
Leia mais este belo texo de Rosemeire Zago.

Falta de amor próprio pode ser causa de obesidade

A briga com a balança pela expectativa de ver o peso mais baixo, na verdade reflete uma briga interna, muito mais profunda do que se imagina, mesmo que isso já dure muitos anos. Isso nos mostra a necessidade de se entrar em contato com conteúdos internos e não a busca por soluções externas, imediatas, superficiais e paliativas.
Podemos perceber que muitas pessoas adoecem pela falta de amor próprio e em conseqüência, desejam desesperadamente o amor dos outros como forma de compensar a falta de amor por si mesma. Como nem sempre conseguem suprir essa necessidade, sentem um vazio enorme dentro de si, o qual buscam preencher com comida. Em alguns idiomas a palavra "vazio" e "doença" é muito parecida. Quanta coincidência, não? Como sabemos que nada acontece por acaso é interessante perceber quantas relações podemos fazer com base nessas informações.
Ao sentir um vazio do qual não é identificada a causa, a busca pode ser através da comida, mas como esse vazio não é de comida, mas geralmente a necessidade é de amor, o vazio permanece e a busca pela comida aumenta cada vez mais, pois não é suprida a necessidade de amor. Ninguém se sente mais amada comendo mais. Surge então a doença. Mas com qual finalidade? Para nos mostrar que algo não esta bem dentro de nós, mas que infelizmente muitas pessoas acreditam no contrário, ou seja, acreditam que a causa de sua infelicidade seja o excesso de peso, não aceitando que o excesso de peso é só um sinal de algum outro conflito, talvez um pouco mais profundo e difícil de ser identificado, mas não impossível.
Como nossa mente é muita sábia, está sempre em busca de um equilíbrio, e essa busca pode ser através da compensação. É como se nosso inconsciente pensasse assim: "Se não consigo preencher esse vazio com nada, buscarei preencher com comida". Mas por que comida? Não é só com comida, outras pessoas buscam preencher com drogas, álcool; outras com dinheiro, poder, trabalho, cada um tem sua própria fórmula, muitas vezes secreta para si mesma.
Quando adoecemos devemos perceber como um sinal de que devemos olhar profundamente para dentro de nós mesmos para encontrar a resposta que tanto buscamos. Na ânsia por uma fórmula mágica, começa a busca por remédios, spas, qualquer coisa que faça acreditar que ainda é possível emagrecer. Mas ainda assim, fazendo de tudo, não consegue, e soma-se mais frustração. Para diminuir essa frustração, come mais um pouco. Percebe como se torna rapidamente uma bola de neve sem fim?
Isso acontece quando se busca resolver por meio externos o que deve ser resolvido dentro de si. Claro que nem sempre é fácil identificar e reconhecer as possíveis causas para o desenvolvimento da doença. Requer uma análise profunda do histórico de vida.
Quantos de nós, ainda crianças, aprendemos que comida é sinônimo de amor? E depois quando adultos, relacionamos sem perceber, o ato de comer como compensação pelo amor que não recebemos, nem dos outros e muito menos de nós mesmas. É muito difícil conseguir amar a nós mesmos quando dependemos da opinião das outras pessoas, do que pensam de nós, colocando nosso referencial de valor no externo.
As pessoas em geral são críticas, perfeccionistas, exigentes, controladoras, invejosas, manipuladoras. Como podemos esperar sermos aprovados e aceitos diante de características tão severas? É justo agir de forma tão drástica com quem no fundo só quer um pouco de amor? É, estou falando de sua relação consigo mesmo. Há quanto tempo você não se faz um elogio? Não reconhece sua capacidade? Não se sente capaz de ir em frente, apesar dos obstáculos? Há quanto tempo não se olha no espelho sem se criticar? Talvez há muito tempo... Não está na hora de se aceitar mais e se sentir capaz de mudar o que deseja? Será que sua maior dificuldade é eliminar peso ou será que há outras questões, quem sabe muito antigas e que você reprimiu e faz questão de esquecer?
Olhe, sem medo para seu passado, sua vida. O que será que ficou mal resolvido ou fez com que se sentisse rejeitado, abandonado, sem valor, sentindo que não merece sequer receber amor? Já pensou que sua vontade em comer mais e mais não pode ser para preencher algo que a comida não irá preencher? O que a comida poderá estar compensando? Isso só você mesmo pode responder. Reflita, analise, busque as respostas, quem sabe perceberá que o amor próprio pode ser a fórmula que tanto procura para eliminar seu peso.

FONTE:  http://espiritualidade.net.br/artigo/amor-proprio-obesidade

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O holocausto secreto de Mr. Churchill

O holocausto secreto de Mr. Churchill

por Rui Crull Tabosa, em 06.12.10
É comummente aceite que os nazis mataram cerca de 6 milhões de judeus.
É sabido que os comunistas assassinaram, só no período estalinista, entre 25 e 27 milhões de pessoas.
O que se desconhecia - e para mim foi uma completa surpresa - é que Winston Churchill, um dos mais venerados estadistas do século passado, também tem a sua quota-parte de mortos.
Já se sabia que Churchill não tinha em grande conta a vida humana quando, apenas a três meses do fim da II Guerra Mundial, estava a Alemanha já militarmente exangue, ordenou, com o auxílio norte-americano, o criminoso massacre aéreo de Dresden, no qual pereceram 250 mil civis sob o efeito devastador das bombas de fósforo.
Agora ficámos a saber que, em 1943, o primeiro-ministro inglês provocou deliberadamente a morte, pela fome, de 3 milhões de indianos que viviam, então, sob domínio britânico. Metade do que matou Hitler e, é certo, 1/9 do que assassinou Estaline.
Em todo o caso, um número impressionante, que atira a reputação de Churchill também para o caixote do lixo da infâmia.
Num recente livro, intitulado “Churchill’s Secret War”, Madhusree Mukerjee, estudiosa que já pertenceu ao conselho de editores da Scientific American, denuncia o desvio de alimentos que Churchill fez de Bengala, região propositadamente empobrecida pelas políticas segregacionistas da administração britânica, recusando mesmo a ajuda alimentar oferecida por americanos e canadianos, que teria permitido evitar aquele autêntico holocausto indiano.
Enquanto se amontoavam os mortos nas ruas, Winston dizia para o secretário de Estado para a Índia, Leopold Amery, que “Odeio indianos” e que a fome é culpa deles porque “se reproduzem como coelhos”. Quando o Governo de Deli apelou a Londres para que o desvio de alimentos de Bengala fosse revogado, Churchill limitou-se a perguntar por que razão Gandhi ainda não tinha morrido…
A catástrofe humanitária atingiu uma tal proporção que o próprio vice-rei da Índia, Lord Wavell, se viu obrigado a considerar a atitude de Churchill como “negligente, hostil e desdenhosa”.
Factos como este obrigam a uma verdadeira revisão da historiografia oficial, que tem preservado alguns dos abomináveis crimes que também cometeram durante a guerra.
Intencionalmente, deixei esta imagem para o fim do Post. É violenta, bem sei, como muitas outras que vemos habitualmente quando nos referimos a holocaustos, fingindo que só houve um. Mas deve ser vista, para lembrar que não há vítimas de primeira e de segunda, conforme sejam brancas ou de outras raças.



 Fonte:  http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/4056293.html

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Crucificações

Crucificações no genocídio Armênio, 1915.





Já se passaram 98 anos do início do Genocídio Armênio, em 1915. Até hoje, o Estado turco (sucessor do Império Otomano) insiste em negar que a matança foi deliberada, e ainda reprime qualquer manifestação pró-reconhecimento dentro de suas fronteiras. E vários países (dentre eles o Brasil), em nome de manter boas relações com a Turquia, não reconhecem o genocídio.
A Turquia atualmente não reconhece o genocídio armênio. Ela diz que os armênios passaram por uma terrível mortalidade e que na verdade agiu para defender a soberania nacional.
A Turquia também alega que o número de mortes é exagerado. Ela diz que estudos demográficos dizem que antes da Primeira Guerra Mundial, viviam menos de 1,5 milhão de armênios em todo o Império Otomano. Conforme os historiadores, mais de 1,5 milhão de armênios foram mortos na Armênia Oriental.

Esses genocídio que mais tarde iria inspirar Adolf Hitler a fazer o mesmo com os judeus - é atribuída ao ditador alemão a frase “afinal, quem fala hoje do extermínio dos armênios?”, contando com o esquecimento para argumentar a favor do plano de eliminar as populações judaicas.

FONTE: apud¹ Yuri Vasconcelos. Genocídio armênio. História Abril.

 https://www.facebook.com/HistoriaEReligiao

sábado, 30 de novembro de 2013

Meios de comunicação e os movimentos sociais

Para o filósofo Pierre Lévy, os governantes brasileiros não ouviram as ruas


Imagem: Reprodução / Twitter

O filósofo Pierre Lévy já falava sobre inteligência coletiva antes mesmo da popularização da internet e da criação de comunidades virtuais e projetos como a Wikipédia. Em 2002, oito anos antes da Primavera Árabe, foi um dos primeiros a publicar um livro sobre ciberdemocracia, em que dizia que movimentos poderiam organizar-se pela web e desafiar o sistema político. A recente onda de manifestações no Brasil empolgou o filósofo, que participou delas pela internet, divulgando informações e palavras de ordem. “Os protestos foram muito positivos, houve uma tomada de consciência”, afirmou a ÉPOCA na semana passada, após participar do I Congresso Internacional de Net-Ativismo da Universidade de São Paulo (USP).


Para Lévy, a multiplicidade de expressões na internet enriquece a política e permite a formação de uma esfera pública mundial. “O monopólio das expressões públicas não existe mais. Todo mundo está se expressando pelas redes sociais. Essa é a verdadeira liberdade de expressão.” Mesmo com a ampla divulgação de textos e vídeos feitos por pessoas não ligadas aos grandes grupos de mídia, o filósofo não crê que os meios tradicionais de comunicação desaparecerão. “As coisas se tornam mais complexas.”

Nascido na Tunísia em 1956 e atualmente professor da Universidade de Ottawa, no Canadá, Lévy continua a pesquisar o poder da inteligência coletiva. Hoje, um dos seus interesses é a customização do processamento de dados na internet. Governos, empresas e diferentes grupos precisarão, segundo ele, ser capazes de organizar grandes massas de dados (o chamado big data) para se orientar na realidade. Nas últimas eleições americanas, por exemplo, Barack Obama contava com uma equipe de engenheiros para levantar, filtrar e classificar informações sobre seus eleitores e, então, conduzir sua campanha. Lévy diz que, no futuro, todos os jogos de poder se darão pelo mundo dos softwares.

Qual é a sua avaliação sobre os protestos no Brasil?Eu nasci na Tunísia, depois me tornei francês e depois me tornei canadense. Eu sou um pouco tunisiano, um pouco francês, um pouco canadense e também um pouco brasileiro, porque eu venho aqui há 25 anos. Venho para cá a cada três anos e tenho muitos amigos aqui. Quando eu soube dos protestos no Brasil, que foram organizados pelas mídias sociais, eu entrei no Twitter e participei. Eu retuitei em português alguns temas dos protestos. Eu dei algumas entrevistas sobre isso, mas não muitas. Há muitos anos, a internet é uma nova ferramenta de expressão da população, uma nova forma de coordenar movimentos sociais. Eu achei ótimo que isso estava ocorrendo no Brasil, que também é meu país.

A violência dos protestos prejudica seus objetivos principais?De maneira geral, eu sou contra a violência. Jogar coquetéis molotov nas ruas não é algo bom. E também sou contra a violência da polícia. Existem algumas formas de mudar um governo: pode ser pela violência, pelos meios constitucionais e pela atuação de grupos políticos e pela liberdade de expressão. Vocês não estão combatendo a democracia, já estão nela. É bem diferente do que acontece nos países árabes. O que acontece aqui no Brasil não é pela democracia, e sim contra a corrupção, para que o país tenha melhores equipamentos e infraestrutura, melhores sistemas de saúde e de educação. Vocês já têm democracia, mas o que está bom para umas pessoas não está para outras.

Grandes mobilizações têm ocorrido sem a definição de líderes e sem uma lista unificada de demandas. É possível ter mudanças sociais profundas dessa maneira?No caso do Brasil, os protestos foram muito positivos, houve uma tomada de consciência. E havia uma agenda. Eu discordo de que não há listas de reivindicações. Houve protestos contra o aumento de tarifas do transporte público, por mais transparência dos governos e melhores serviços. Tem sido uma experiência muito importante e de evolução da sociedade brasileira.

Os governantes ouviram as vozes da população nas ruas?Uma das principais reivindicações dos protestos foi o fim da corrupção. Eles ouviram? A corrupção acabou? Não, eles não ouviram.

Com o amplo uso da internet e das redes sociais para publicar informações, os meios de comunicação de massa estão ameaçados?Eu odeio a mídia tradicional [risos]. A questão do monopólio das expressões públicas não existe mais. Todo mundo está se expressando pelas redes sociais. Essa é a verdadeira liberdade de expressão.

Os grandes grupos tendem a desaparecer?Todo o sistema se transformará e continuará a evoluir. Não existe isso de algo desaparecer e ser substituído por outra coisa completamente nova. Sempre surgem novas camadas, as coisas se tornam mais complexas. Se você tem Twitter, pode ver que as pessoas estão sempre publicando links de meios de comunicação tradicionais. E esses meios têm blogs e também têm perfis nas redes sociais. A mídia tradicional imita a redes sociais. E as redes sociais citam os meios tradicionais. Dessa forma, todo o sistema se torna mais complexo, como sempre.

A profissão de jornalista também está ameaçada?No século XVIII, o trabalho de milhares de pessoas era, unicamente, carregar água. Então, porque eu quero proteger o trabalho dessas pessoas, vou deixar de instalar encanamentos nas casas? No futuro, iremos precisar de pessoas que são muito competentes em comunicação em geral. Nós sempre vamos precisar delas.

Amanda Polato
Época


Fonte: http://www.folhapolitica.org/2013/11/para-o-filosofo-pierre-levy-os.html

Violência contra as Mulheres

Contra a violência física e simbólica às mulheres



Na sociedade em que vivemos, da maneira com que vivemos, os homens são autorizados a pensar e sentir que o corpo das mulheres não vale nada, que as mulheres são menos sujeito do que eles são

Por Jully Soares, no Blogueiras Feministas
Dentre todos os temas de discussão levantados pelas feministas, a violência contra as mulheres, em especial a violência doméstica, continua sendo o tema de maior impacto na sociedade. Seja para vender o seu produto através da “sedução” que a violência é capaz de realizar, seja para realmente provocar a população para perceber a gravidade da questão, a mídia tem colocado a violência contra as mulheres como pauta com bastante frequência, gerando quase um uníssono que diz: “nós não queremos a violência contra as mulheres”.
Às vezes, parece inclusive ser um assunto pautado até demais, podendo fazer algumas pessoas pensarem: “poxa, mas vocês vão falar disso mais uma vez?”. Mas, é interessante perceber que, por mais que se fale no assunto de maneira reiterada, já há décadas, ainda vemos todos os dias a violência sendo praticada contra as mulheres. É incrível, você pode perguntar a cada pessoa que conhece, quase todas dirão que conhecem alguma mulher que viveu ou vive em situação de violência.
Quadro O Rapto das Sabinas, de Pietro da Cortona
O fato de a violência contra as mulheres persistir, apesar de tantos esforços para freá-la, mostra o quanto está inserida – profundamente – em todas as relações sociais. Na maioria das vezes, pensamos nas mulheres que são agredidas fisicamente por seus parceiros e que denunciam isso ou, simplesmente, não conseguem esconder as agressões. Ou seja, na maior parte das vezes em que o assunto da violência contra a mulher vem à tona, a violência doméstica é aquela que recebe maior atenção.
Bem, talvez os dados do Mapa da Violência de 2012 aliados à vivência diária ajudem a compreender melhor o fenômeno. Em 2011, 71,8% das mulheres que sofreram violência física foram agredidas em suas residências, enquanto 43,4% (a maior porcentagem entre todas as categorias) foram agredidas por seus parceiros ou ex-parceiros. Também os casos de todos os dias, como o da mulher que teve os braços e perna cortados com facão pelo companheiro neste mês ou da que foi morta a marteladas no mês passado deixam a imagem da violência doméstica muito mais evidente para nós.
Entretanto, mais alguns dados do Mapa da Violência revelam ainda um pouco mais o assunto: numa análise quantitativa das mulheres – e meninas – que foram atendidas em 2011, como vítimas de violência física, podemos ver que a partir dos 10 anos os pais (não “pais e mães”; apenas “pais”) são os principais responsáveis pelas agressões. A partir dos 15 anos, pai e mãe deixam de ser os principais perpetradores, “passando a vez” para os namorados, companheiros e maridos das adolescentes e mulheres. A partir dos 60 anos, são os filhos os que assumem lugar de destaque nesse tipo de violência.
Surpresa? É como se ainda estivéssemos em séculos atrás, quando as mulheres pertenciam aos pais – aos homens –, passando depois a pertencer a seus maridos. É como se as mulheres fossem uma coisa formada de carne e de sentimentos de pouco valor. Carne e sentimentos que pudessem ser consumidos, usados ao bel-prazer dos homens, sem consequências. Uma carne que pode ser rasgada, cortada, usada para o prazer dos homens. Sentimentos que não precisam ser levados em conta porque, afinal, “são mulheres”. São “só mulheres.”
Essa outra face da violência, a violência simbólica, que não recebe a mesma atenção da mídia ou das conversas do dia-a-dia é, na verdade, a forma de violência que permite chegar à violência física contra as mulheres. Porque, na sociedade em que vivemos, da maneira com que vivemos, os homens são autorizados a pensar e sentir que o corpo das mulheres não vale nada, que as mulheres são menos sujeito do que eles são. Basta se atentar para a vida cotidiana. Das cantadas que nos fragmentam em peitos e bundas, em objetos de consumo do outro; às cobranças por sexo (mesmo que sem vontade); passando por atitudes que nos colocam como AS responsáveis pelos cuidados das pessoas, dos filhos e filhas, do trabalho doméstico.
O lugar de subalternidade tão conferido às mulheres carrega, na maioria das vezes, uma violência que incide sobre nós: calada, invisível, sorrateira. E, devido ao sexismo de cada dia, bem como ao domínio sobre as mulheres, se sentimos essa violência é porque somos “mulheres”. E se denunciamos essa violência, somos “mulherzinhas”. Se não denunciamos essa violência, somos “mulherzinhas” também.
No final das contas, seremos sempre “mulherzinhas”. Porque seremos sempre menos enquanto a sociedade inteira entender que existem apenas dois sexos (ou dois gêneros) e, que essa dualidade precisa necessariamente ser polarizada entre mais e menos, de maior ou de menor valor. A violência física dói muito, assusta e aterroriza. Mas, enquanto a violência simbólica não for considerada VIOLÊNCIA, a violência física continuará encontrando espaço para se fazer presente das piores maneiras possíveis, todos os dias.
Hoje, 25 de novembro, Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta Contra a Violência à Mulher e Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, precisamos dar atenção ao fato de que as mulheres sofrem violência todos os dias. Todos os dias. Por homens, por mulheres, pela mídia, pelo Estado, pela Igreja… Mas enquanto essas formas de violência simbólica não tiverem importância, dificilmente poderemos erradicar a violência física que também nos assombra diariamente.
Jully Soares é jovem pensadora e militante feminista, negra e bissexual. Escreve no blog Inspiração Política & Literária.

Fonte: http://revistaforum.com.br/blog/2013/11/contra-a-violencia-fisica-e-simbolica-as-mulheres/

Carta constitucional de 1824 - Confronto de poderes


Carta constitucional de 1824 já nasceu polêmica: arbítrio da Coroa ou modelo inovador de governo representativo?

Cecília Helena de Salles Oliveira

O texto constitucional de 1824 estabeleceu os fundamentos da organização do Estado monárquico e da nação durante o Império, mas, ao mesmo tempo, foi alvo de disputas, críticas e interpretações. Resultado das intensas lutas políticas que envolveram o movimento de Independência dois anos antes, o documento provocou inúmeras reações – na imprensa e entre os políticos – pelos princípios ali adotados e por ter sido outorgado por D. Pedro I, o que lhe valeu a denominação de Carta constitucional, e não Constituição.
Para diversos setores da sociedade brasileira à época, a experiência das Cortes em Lisboa, a separação de Portugal e a aclamação popular de Pedro I eram incompatíveis com o fechamento, em novembro de 1823, da Assembleia Constituinte. Mas foi sobretudo a inclusão do poder moderador, exercido exclusivamente pelo monarca, que alimentou vivas polêmicas até o final do Império.
A Carta foi redigida por um pequeno grupo de pessoas escolhidas a dedo por D. Pedro I: políticos de algumas das principais famílias de proprietários e negociantes radicadas na região Centro-Sul da América portuguesa, que desde a época de D. João VI ocupavam lugares importantes na administração pública e que tinham atuado na Assembleia Constituinte.  Na visão de membros de agremiações republicanas formadas no Brasil a partir de 1870, a Carta de 1824 era expressão do “absolutismo” de D. Pedro, manifestação cabal de que a Independência não trouxera mudanças substanciais nas relações de poder coloniais. Era um sinal do passado, da permanência da dinastia dos Bragança, das práticas “despóticas” herdadas da colonização portuguesa.
Por outro lado, diferentes intérpretes, a exemplo de José da Silva Lisboa, José Antônio Pimenta Bueno, o Marquês de São Vicente, e Paulino José de Souza, o Visconde de Uruguai, interpretavam a Carta como equivalente a Constituições monárquicas da época, ou até mesmo mais perfeita do que outras. Segundo esta visão, o poder moderador não só era adequado aos princípios dos governos representativos, como também possibilitava um equilíbrio entre o Executivo e o Parlamento, permitindo que o arbítrio da Coroa garantisse a centralização político-administrativa e a alternância de grupos no poder.
Mas quais seriam os significados deste quarto poder, visto por muitos historiadores como a característica mais marcante da Carta constitucional do Império?
            Foi o pensador franco-suíço Benjamin Constant (1767/1830) um dos que mais discutiram a teoria de um quarto poder a ser exercido pelo rei (ou por um presidente), que se colocaria acima de arranjos político-partidários, definindo-se como esfera “neutra”. Constant teve enorme influência no debate em torno da organização de regimes constitucionais no início do século XIX. Mas suas propostas derivavam tanto de considerações de Montesquieu acerca do equilíbrio dos poderes quanto de análises sobre a monarquia inglesa, que servia como modelo para muitos dos políticos que viveram a Revolução Francesa.
Mesmo antes da Revolução discutia-se que lugar o monarca deveria ocupar na nova ordem que surgia da crise do Antigo Regime. Nos fins do século XVIII, pela primeira vez, era colocada em prática uma profunda transformação no exercício do poder: o monopólio do rei era quebrado por assembleias eleitas e por Constituições, textos escritos e aprovados por representantes da sociedade que asseguravam os direitos dos cidadãos e sua participação nos governos e nas decisões públicas.
Assim, definir uma nova estrutura de Estado e dos poderes políticos significava estabelecer quem poderia expressar a vontade soberana do povo. Significava suprimir práticas absolutistas, o que acarretou na França, entre outras circunstâncias, a decapitação do monarca. Constant aprofundou esta discussão, especialmente entre 1814 e 1815, quando foi chamado a apresentar um estudo sobre a Carta francesa outorgada por Luís XVIII em plena Restauração da monarquia. Nessa obra, denominada Princípios de Política, expôs longa argumentação a respeito da soberania da nação e do modo como poderia ser concretizada.
 Constant cogitava que se a soberania da nação estivesse concentrada nas mãos dos deputados que a representavam, o governante teria função subalterna, contentando-se em executar as decisões do Legislativo, não podendo dissolvê-lo ou vetar as leis ali aprovadas. Em compensação, se prevalecesse o entendimento de que também ao governante cabia uma parcela da soberania nacional, então ele interferiria no andamento da administração pública e da legislação, podendo vetar ou suspender as deliberações do Legislativo, compartilhando com os deputados o exercício da soberania da nação.
Afirmava ainda que o Parlamento não podia concentrar em suas mãos a soberania e o poder decisórios, sob pena de substituir-se o despotismo de um pelo de muitos, como havia ocorrido, a seu ver, no período do Terror revolucionário. Ao mesmo tempo, criticava o absolutismo monárquico, defendendo conquistas da Revolução, como a garantia de direitos, especialmente as liberdades individuais. Buscando um meio-termo, defendia repartir a soberania do Estado entre quatro poderes: o Legislativo, composto por uma câmara eleita e outra vitalícia; o Judiciário, composto por magistrados e juízes vitalícios; o Executivo, representado pelo governante, mas exercido por ministros responsáveis perante a nação, e um quarto poder, que preservava a majestade e a capacidade do rei de governar.
A finalidade do quarto poder seria manter o funcionamento dos demais, impedindo choques de atribuições, bem como o comprometimento da atuação do governo e do Estado em razão de conflitos de autoridade. Seria uma espécie de guardião dos interesses nacionais e dos cidadãos, agindo em todas as ocasiões em que ministros, parlamentares e juízes ultrapassassem seus respectivos campos de ação. Colocando o governante na condição de representante perpétuo do povo, Constant julgava-o capaz de atuar como poder “conservador”, pois deveria garantir o curso da administração e das políticas públicas, e como “moderador”, já que seria um freio a controlar os limites dos outros poderes. Mas havia uma condição essencial: Constant alertava para a diferença e a separação que deveriam existir entre o poder “neutro” ou “real” e o poder executivo ou ministerial. Ainda que os ministros fossem nomeados pelo rei, não deveria haver sobreposição ou ingerência de uma esfera de poder na outra. Somente assim o rei poderia agir como força reguladora e preservadora do equilíbrio político sem, no entanto, ser agente de violência.
Tratava-se de complexa engenharia política. O que prevaleceu nas Constituições europeias do início do século XIX foi a concepção de três poderes de Estado, alocando-se no Poder Executivo, chefiado pelo rei, muitas das atribuições que Constant identificou no “poder neutro”. Foi única exceção à Carta de 1826, outorgada em Portugal por D. Pedro, quando, após a morte de seu pai, D. João VI, abdicou do trono português em favor de sua filha, D. Maria da Glória. O documento, aliás, era praticamente o mesmo que fora jurado, em 1824, no Brasil.
            Ainda que seja comum considerar-se Constant como o grande inspirador da Carta de 1824, a leitura do texto revela que os legisladores brasileiros conferiram sentidos originais ao ideário político que vinha sendo discutido na Europa e na América desde os fins do século XVIII. Levaram em conta a experiência acumulada em Cádiz e que resultou na Constituição espanhola de 1812 e, sobretudo, o debate promovido nas Cortes de Lisboa em torno da Constituição portuguesa, promulgada em 1822 [Ver artigo “Ventos liberais para o oeste”, RHBN 86] e produzida com o auxílio de deputados brasileiros, antes que fosse oficializada a separação, em setembro daquele ano.
Também orientaram suas opções pelas condições políticas do momento: nem externa nem internamente a autoridade do governo estabelecido no Rio de Janeiro estava reconhecida. Tal situação demandava a urgente conclusão de um texto constitucional que legitimasse o Império recém-fundado e desse respaldo para o reconhecimento internacional, assim como para negociações com lideranças políticas que desconfiavam do constitucionalismo de D. Pedro.
Por outro lado, o trabalho realizado durante o funcionamento da Assembleia Constituinte foi inteiramente incorporado. Não seria possível ao governo remeter, em meados de dezembro de 1823, portanto cerca de um mês após o seu fechamento, o projeto constitucional para a apreciação das Câmaras das vilas e cidades do Império. Órgãos que representavam os direitos civis da população, as Câmaras foram chamadas para se manifestar como tentativa de diminuir as repercussões do fechamento e mostrar que o governo tinha interesse em ouvir as demandas da sociedade.
            No que diz respeito ao poder moderador, a Carta de 1824 determinava que a figura do Imperador era “inviolável e sagrada”, não estando “sujeita à responsabilidade alguma” . No exercício desse poder, o Imperador seria auxiliado por um Conselho de Estado e desempenharia as seguintes atribuições: nomear os senadores, escolhidos em listas tríplices pelos eleitores provinciais; convocar o Poder Legislativo extraordinariamente; sancionar decretos e resoluções do Poder Legislativo para que tivessem força de lei; aprovar ou suspender as resoluções dos conselhos provinciais; prorrogar ou adiar os trabalhos legislativos; dissolver a Câmara dos deputados “nos casos em que exigir a salvação do Estado”; nomear e demitir “livremente” os ministros de Estado; suspender magistrados acusados de irregularidades; perdoar ou moderar penas impostas a réus condenados; e conceder anistia.
Entretanto, como o Imperador também era o chefe do Poder Executivo, ainda que este fosse exercido pelos ministros, o documento não explicitava com todas as letras um dos pontos-chave da teoria de Constant, o da separação entre poder real e poder ministerial, e criava propositalmente ambiguidades sobre a esfera de atuação efetiva do monarca.
 Logo surgiram divergentes interpretações em torno da Carta. Elas podem ser entendidas como manifestações de projetos distintos do Império, de possibilidades históricas abertas com a Independência, em curso na primeira metade do século XIX.   Foram marcadas por conflitos nos quais ora o Estado se sobrepunha à nação, o que foi feito com a outorga da Carta de 1824, ora a nação enfrentava o Estado, como no momento da Abdicação, quando dentro e fora do Parlamento a sociedade cobrou de D. Pedro as liberdades prometidas com a Independência.
A partir de meados do século XIX, esse embate assumiu outros contornos, alimentado pela polêmica entre o princípio de que “o rei reina e não governa”, defendido por liberais, como Teófilo Ottoni (1807-1869), e o pressuposto de que o rei não só reina, mas governa e administra, defendido por conservadores, como o Visconde de Uruguai. Esta discussão manteve-se acesa até o final do Império e foi argumento poderoso usado pelos republicanos contra o regime monárquico.
Cecília Helena de Salles Oliveiraé professora titular no Museu Paulista da USP. Organizou, junto com Izabel Marson, Monarquia, Liberalismo e Negócios no Brasil, 1780/1860. São Paulo, EDUSP, 2013.

Fonte:   http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/confronto-de-poderes